8 de fevereiro de 2013

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2013

Pessoal, lendo uns artigos do site dos Fransciscanos, achei este artigo muito interessante e vale a pena ler e refletir! O importante também seria de enviarmos e trabalharmos este conteúdo com os jovens: leiam está muito bom!

FONTE: http://www.franciscanos.org.br/?p=32387

O mundo em que os jovens vivem - Frei Almir Ribeiro Guimarães

O ano de 2013 é, de alguma forma, o Ano da Juventude.  O encontro dos jovens com o Papa no Rio de Janeiro, a Campanha da Fraternidade e o Ano da Fé constituem  convites a que venhamos organizar uma sistemática pastoral  dos jovens. Tarefa ingente, complexa e delicada.  Urgente pensar no assunto. A Igreja de amanhã, nesse mundo em transformação, precisa de um laicato maduro, de casais maduros, de políticos maduros, de gente  nova por dentro.  Nossa reflexão  nesta rubrica  Pastoral pretende lançar  um olhar  sobre o mundo que vivem os jovens.  Tocamos apenas em alguns pontos.  Cabe aos leitores desta “Revista Eletrônica” completar o elenco das situações concretas em que vivem os jovens e, sobretudo,  imaginar uma possível pastoral  (ou evangelização) dos jovens.
Vivemos um tempo de transformação.  Há a crise econômica e social. Há a crise eclesial.  Há a crise cultural. Morre um mundo e nasce outro.  Morre um modo de viver a fé. O que é ser cristão nesse mundo novo vago que se delineia a duras penas. Ora, os jovens são aqueles que poderão ser protagonistas desse novo nascimento. Poucas de nossas comunidades, no entanto,  conseguem organizar e alimentar uma pastoral juvenil.  Em que mundo vivemos nós e os jovens?
1. Vivemos o tempo do imediato, do que precisa ser feito aqui e agora, sem delongas, sem demora. O que desejo, quero para já, aqui e agora. Nem sempre esse desejo do imediato é acompanhado  pela reflexão.  Não sabemos colocar o pé no freio. Compramos o que temos vontade de comprar e pagamos a crédito, com cartão de crédito, com pagamentos a perder de vista.  Mas queremos agora.  Essa característica da busca do imediato lembra os caprichos de uma criança que pensa que tudo se lhe deve e que esperneia enquanto  não consegue o que quer na rua, no metrô, na igreja e na sala de espera do consultório médico.  As pessoas querem tudo rapidamente  e não se dão o tempo de pensar, de escolher, de decidir com  um mínimo de discernimento.  O tempo da  juventude não seria o tempo de escolhas importantes que marcam a vida de uma pessoa para sempre? Será possível melhorar  nossas escolhas?
2. A realidade é como um líquido que escorre por entre os dedos.  Nada passa a impressão de ser sólido. Os relacionamentos são  fugazes: casamento, amigos, convicções. Como uma pessoa jovem se situa nesse mundo líquido de que fala  Zygmund  Bauman? Onde o jovem encontrará uma âncora vital  que o ajude a navegar no vaivém das oscilações da vida?  O mundo nunca foi estático. Mas hoje é “louco”.  É possível encontrar um sentido último para a vida e que oriente as decisões e ajude a construir projetos existenciais que valham a pena?
3. Vivemos num mundo descosturado. As coisas não estão interligadas.  Cada fragmento tem sua lógica, obedece a seus princípios,  contém seus “valores”, uns separados dos outros.  Jovens vivem essa descostura na carne.  Muitos deles trabalham para ajudar na renda familiar, fazem estudos à noite, ou ensino fundamental, ou faculdade. Não têm tempo de aprofundar seus estudos e nem de conhecer-se a si mesmos. Derramam-se nas coisas e nos finais de semana  precisam  uma válvula de escape: namoricos, por vezes para distração, bebida e certas fugas no mundo das drogas. Precipitados envolvimentos amorosos  podem redundar numa gravidez. Como esses jovens  tão ocupados  poderão participar de grupos de  jovens, de espaços de iniciação cristã e de reorganização de seu universo?  Como viver com eles?  Como eles  poderão sentir  beleza da fé vivida por outros?
4. Há jovens de todos os tipos e horizontes.  Vemos uma certa juventude que cresce em ambientes familiares de compreensão, de harmonia. Crianças que encontram regularmente os pais, que  sentem a firmeza do relacionamento dos mesmos, que vivem segurança na vida, apoiadas no sólido amor dos pais.   De outro lado vemos jovens que vivem em ambientes de profunda hostilidade familiar.  São filhos de mães solteiras, criados pelas avós.  Jovens que têm conviver com “meio-irmãos”,  filhos do novo companheiro da mãe. A mãe e seu novo companheiro não vão viver o tempo todo juntos. É coisa apenas por um tempo. O que realmente se passa na cabeça desses jovens? Onde estão?  Como fazer pastoral com eles?  Quando tentar atingi-los com o Evangelho?
5. Nossos jovens crescem num  ambiente marcadamente  consumista.  O mundo é consumista. A vida é consumista. Os meios de comunicação falam de consumo, convidam  ao consumo.  Consumo de bens, consumo de coisas modernas, de viagens, de pessoas.  Como  fazer com que ressoe nesta sociedade de consumo o espírito de desprendimento do Sermão das Bem-aventuranças?
6. Vivemos a cultura do êxito. É preciso  vencer na vida. Há a competição.  Competição  que estressa. Competição que aponta para uma certa eliminação do outro. Há famílias que treinam os filhos para  estudar, vencer na vida e assim poderem desfrutar  de folgada situação financeira em suas vidas. Êxito e sucesso também nos relacionamentos amorosos: corpos sarados, bem cuidados, cuidados  demais. Meninas magras e rapazes “bonitos”.  Culto das aparências: beleza do corpo, viagens, carros e facilidades.
7. “Construímo-nos  como pessoas em relação com os outros.  O jovem de hoje, como nunca antes, vive possibilidades de comunicação e de  relacionamentos quase ilimitadas.  Que jovem não se serve das redes sociais  com centenas de amigos nesses fóruns?   Os jovens de hoje conhecem melhor o mundo do que aqueles de gerações anteriores.  Também se deslocam e se locomovem muito mais.  Com tudo isso, a solidão parece ser uma ameaça real para não poucos jovens. Nem sempre conseguem viver uma amizade em profundidade. Vínculos que pareciam muito estáveis se desfazem com relativa facilidade.  Há jovens que chegam aos trinta anos numa dificuldade de encontrar seu par com quem construir sua vida. Pode o evangelho ajudar a  viver vinculações  mais  sólidas, mais estáveis, de pessoas mais comprometidas  umas com as outras?”  (Abel Toraño  Fernández, SJ, Jóvenes e nueva evangelización: escenario y desafios,  Sal Terrae, 100 (2012), p. 529-530).
Questões:
● O que chamou sua atenção neste texto?
● O que mais diria a respeito do mundo em que vivem os jovens?

Frei Almir Ribeiro Guimarães
RETIRADO: http://www.franciscanos.org.br/?p=32387

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