25 de outubro de 2011

Santo Antônio de Sant'Ana Galvão

Hoje a nossa Igreja celebra o primeiro homem brasileiro que foi canônizado como Santo, o Frei Galvão
Gostaria de postar para vocês um trabalho que o Ir. Paulo Matrins Junior fez sobre ele e que ficou ótimo.

Frei Antônio de Sant’Ana Galvão nasceu em 1739, em Guaratinguetá, SP. Era filho de Antônio Galvão de França, imigrante português e Capitão-mor da cidade, e de Isabel Leite de Barros, filha de ricos fazendeiros e bisneta do famoso bandeirante Fernão Dias Pais, o “Caçador de Esmeraldas”. Antônio viveu com seus pais e irmãos numa casa grande, ainda hoje preservada, na cidade de Guaratinguetá. Sua família gozava de prestígio social e influência política.
Aos 13 anos deixou a casa paterna e foi para a Bahia, para estudar no Colégio de Belém, dos jesuítas, onde já se encontrava um irmão mais velho dele. Era uma das melhores escolas do Brasil, e lá ele fez grandes progressos na formação humana e cultural e na prática cristã, entre os anos de 1752 e 1756.
Pensou tornar-se jesuíta, mas por causa da perseguição política movida pelo Marquês de Pombal à Ordem de Santo Inácio, e da devoção dos pais, terceiros franciscanos, decidiu-se pela Ordem de São Francisco. Ingressou no noviciado, em Macacu, estado do Rio de Janeiro, e lá fez seus votos perpétuos em abril de 1761.
Um ano depois, transferido para o Convento Santo Antônio do Largo da Carioca e sendo dispensado das ordens menores, foi admitido à ordenação sacerdotal. Foi então mandado para o convento São Francisco, em São Paulo, a fim de aperfeiçoar seus estudos de filosofia e teologia, e exercitar-se no apostolado. Nessa época fez sua “entrega a Maria”, com uma consagração assinada em 9 de novembro de 1766, com seu próprio sangue.
Terminados os estudos, foi nomeado pregador, confessor e porteiro do Convento, cargo considerado de muita importância, pela comunicação com as pessoas e o grande apostolado dele resultante.
Em 1769 foi designado confessor de um Recolhimento de piedosas mulheres, as “Recolhidas de Santa Teresa”, em São Paulo. Neste Recolhimento encontrou Irmã Helena Maria do Espírito Santo, religiosa de profunda oração e grande penitência, que afirmava ter como missão a fundação de um novo Recolhimento. Frei Galvão considerou válida a missão, e fundou com ela, em 2 de fevereiro de 1774 o novo Recolhimento, mais conhecido como Mosteiro da Luz.
Em 23 de fevereiro de 1775, um ano após a fundação, Madre Helena morreu. Frei Galvão tornou-se o único sustentáculo das Recolhidas, missão que exerceu com grande humildade e prudência. Por oposição ao seu antecessor, que havia permitido a ereção do Recolhimento, o novo Capitão-general de São Paulo retirou a permissão e ordenou o seu fechamento. Frei Galvão e as irmãs aceitaram com fé e obedeceram, fechando a casa, mas permanecendo dentro dela. Por pressão do povo e do Bispo, um mês depois foi permitida a reabertura.
Devido ao grande número de vocações, Frei Galvão se viu obrigado a aumentar o Recolhimento. Durante 14 anos cuidou da nova construção e levou mais 14 para construir a Igreja, inaugurada em 15 de agosto de 1802. Frei Galvão foi arquiteto, mestre de obras e até pedreiro. A obra hoje é tombada e o Mosteiro da Luz foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.
Frei Galvão, além da construção e dos encargos dentro e fora da Ordem dos Frades Menores, deu toda a atenção à formação das Recolhidas, sendo para elas verdadeiro pai e mestre. Escreveu um estatuto, guia de vida interior para as Recolhidas, considerado um de seus principais escritos.
O santo viajava constantemente pela Capitania de São Paulo, pregando e atendendo as pessoas. Fazia todos os seus trajetos a pé, não usando cavalos nem a carruagem puxada por escravos. Mesmo indo ao Rio de Janeiro, não poupava esforços e não havia obstáculos para o seu zelo apostólico.
Frei Galvão era muito procurado por enfermos, que curava através das pílulas que hoje são famosas: pequenos pedaços de papel com a inscrição mariana (“Post partum Virgo Inviolata permansisti: Dei Genitrix intercede pro nobis”) são ingeridos durante uma novena.
Em 1811, fundou outro Recolhimento, em Sorocaba, a pedido do Bispo de São Paulo. Frei Galvão faleceu em 23 de dezembro de 1822 e foi sepultado na Igreja do Recolhimento da Luz, que ele mesmo construíra.
O processo de canonização, iniciado em 1938, foi reativado em 1986. Em 1991 foi finalizado. Foi beatificado em 25 de outubro de 1998 pelo papa João Paulo II, e canonizado em 11 de maio de 2007, pelo papa Bento XVI, em São Paulo.

BIBLIOGRAFIA:
MARISTELA. Frei Galvão, Bandeirante de Cristo. São Paulo: Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz. 2ª edição, 1978.
SURIAN, Carmelo. Frei Galvão: um brasileiro na glória dos santos. Petrópolis: Vozes, 1997.
CRUZ E SILVA, Rita de Cássia. Devocionário a Frei Galvão. São Paulo: Canção Nova, 2007.

Esta é uma pequena Biografia do nosso santo brasileiro... 
Ir. Paulo Martins Junior, irmão canossiano, cursando do terceiro ano de Teologia no Instituto de Teologia "Dom Miele da Arquidiocese de Ribeirão Preto em Brodowski.

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